quarta-feira, 4 de abril de 2012

Preço do metro quadrado sobe menos em março, diz FipeZap

Alta foi de 1,4% no mês, contra avanço de 1,5% em fevereiro.
Desde 2009 a variação de março não era menor que a de fevereiro.
Do G1, em São Paulo


Preço médio do m² anunciado foi de R$ 6.446


O índice FipeZap Composto, que acompanha o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos em seis municípios e no Distrito Federal, teve alta de 1,4% em março – oscilação menor que a registrada em fevereiro, quando o indicador avançou 1,5%.
A última vez em que a variação de março foi menor que a de fevereiro foi em 2009, quando o índice subiu 1,1% ante 1,4% do mês anterior.
A maior variação foi observada em Belo Horizonte, onde o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos subiu 2,6%. Já em Salvador, os preços ficaram estáveis. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a alta foi de 1,3% e 1,4%, respectivamente.
Na média das sete regiões, o valor do metro quadrado anunciado ficou em R$ 6.446 no mês de março. O Distrito Federal segue tendo o metro quadrado mais caro entre as cidades pesquisas: R$ 8.100; seguido por Rio de Janeiro (R$ 7.796) e São Paulo (R$ 6.295). Na outra ponta, Salvador tem o metro quadrado mais barato: R$ 3.688.
Em relação ao número de dormitórios, os imóveis com dois e três dormitórios tiveram a maior alta no período, de 1,6%.
Desaceleração
A tendência de desaceleração observada nos últimos meses permanece, principalmente quando se analisa a alta acumulada em doze meses. O índice composto acumula alta de 23,5% em um ano, sendo que, em fevereiro, este valor foi de 24,8%, e, em janeiro, de 25,5%.
No Rio de Janeiro, a desaceleração tem sido mais acentuada. Em março, alta acumulada em doze meses ficou em 28,8%, contra 31% registrados em fevereiro e 41,3% seis meses antes.
O Índice FipeZap é desenvolvido e calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e acompanha o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos com base em anúncios de imóveis da internet.
O índice composto inclui as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador e o Distrito Federal.

Fonte: globo.com

terça-feira, 3 de abril de 2012

Fusões mudam a cara da bolsa

Quem comprou ações da Abyara em sua estreia na bolsa em julho de 2006, três anos depois passou a ser acionista não só da companhia, mas também de Klabin Segall e Agra, que se uniram na Agre Empreendimentos Imobiliários. Passados oito meses, esse mesmo investidor se tornou sócio da PDG depois que a empresa comprou a Agre.

Por conta de operações como essas, de uma lista de 147 empresas que, de 2004 a 2011, chegaram à bolsa, 57, ou 39% delas, não existem mais atualmente na forma original. Basicamente, elas se engajaram em algum tipo de atividade de consolidação: lideraram ou foram alvos de operações de fusões e aquisições.
A conclusão é de levantamento feito pelo banco Credit Suisse, que inclui também companhias que não fizeram exatamente uma abertura de capital, como Rossi Residencial, Cyrela e Drogasil, mas que tinham quantidade pequena de ações em circulação e falta de avaliação adequada.

“Tecnicamente essas companhias não fizeram ofertas iniciais de ações. Mas nós consideramos nesse levantamento qualquer empresa que fez nesse período uma oferta que [estabeleceu] uma nova faixa de preço”, diz José Olympio Pereira, corresponsável pelo banco de investimento Credit Suisse no Brasil.

“As aberturas de capital ensejaram uma grande atividade de fusões e aquisições no país, uma vez que quase 40% das novatas participaram dessas operações”, diz. O executivo comenta que essas companhias, além de usarem a bolsa para captar recursos e crescer via aquisições, puderam usar suas ações como moeda.

“Quando Bovespa e BM&F se uniram, fizeram via troca de ações. O mesmo ocorreu quando a PDG ficou com a Agre.”

As 147 operações movimentaram R$ 128,3 bilhões. Isolando as 57 empresas que passaram por transformações significativas, que incluem também compras de empresas fechadas, 36 (63%) comandaram aquisições e se mantiveram abertas; 17 (30%) foram adquiridas e continuaram na bolsa, e apenas quatro foram compradas e deslistadas.

A maior fatia desses recursos foi captada pelo setor financeiro, com R$ 34,5 bilhões (27%) em 19 transações – aqui estão ofertas grandes, como Santander (R$ 13,2 bilhões) e Visanet (R$ 8,4 bilhões).

O segundo maior volume foi para o segmento imobiliário, com R$ 14,4 milhões, mas esse foi o líder em número de operações – 26 ou 18% do total. Foram essas companhias que concentraram também o maior número de fusões e aquisições, 11.

“Era de se esperar que o setor que lançou mais empresas fosse também aquele que reunisse o maior número de transações”, diz Olympio Pereira, reforçando que, com as ofertas, o segmento imobiliário ganhou peso significativo na bolsa brasileira.

A chegada de 90 companhias correspondeu à inauguração de 21 novos setores na bolsa, incluindo o imobiliário. Depois dele, os mais numerosos foram: saúde, com oito representantes, que captaram R$ 11 bilhões; shopping e agronegócios, com seis empresas cada um; tecnologia e educação, com cinco cada um.

No setor de construção, Rossi, Gafisa, Brascan, Lopes, PDG, Brasil Brokers se destacaram na ponta compradora. O segmento conta ainda com uma companhia que, espontaneamente quer fechar capital, a Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI). Da amostra de 147 empresas utilizada pelo Credit, além de CCDI, a UOL fechou o capital e a Redecard está com oferta em andamento. “Apenas 3 empresas, ou 2% do total, fizeram essa operação. Um número bastante pequeno”, diz Olympio Pereira.

Fonte: Valor Econômico

A estratégia dos grandes: crescimento acelerado leva Gafisa a prejuízo de R$ 1,1 bilhão

Diretor-presidente da Gafisa reconhece problemas com a compra da Tenda

Marina gazzoni, O Estado de S. Paulo Compartilhar6




Gafisa busca reestruturação A incorporadora Gafisa divulgou ontem um prejuízo líquido de R$ 1,1 bilhão em 2011, reflexo principalmente de problemas com a construtora Tenda, adquirida em 2008. O resultado ultrapassa todos os lucros obtidos pela empresa desde 2005, que somam cerca de R$ 990 milhões. Segundo os executivos da Gafisa, os dados apresentados são preliminares e não foram auditados. O balanço definitivo será divulgado no dia 9.

O prejuízo se deve a um ajuste nos custos da empresa de R$ 889 milhões, 69% deles referentes a projetos da Tenda e 31% da Gafisa. O que mais pesou na conta foi a revisão do orçamento das obras. A empresa precisou adicionar R$ 587 milhões no custo de construção dos empreendimentos, elevando em 8% o orçamento original. Metade desse montante veio de projetos feitos por parceiros, contratados para executar as obras dos empreendimentos da companhia.

Cuidado com o crescimento
“Nossa companhia se tornou significativamente mais complexa, cresceu mais depressa do que poderíamos controlar adequadamente. Fornecedores regionais e parceiros também estavam despreparados para atender nossa demanda”, disse ontem o diretor-presidente da Gafisa, Duilio Calciolari, em teleconferência. “Gostaria de dizer o quanto estou desapontado por não termos conseguido alcançar nossa meta de desempenho e nem entregar o ‘turn around’ das operações de Tenda no prazo adequado”, completou.

Além da revisão de custos de obras, a Gafisa também precisou realizar distratos de contratos de venda de imóveis da Tenda. A empresa analisou a carteira de clientes da Tenda e encontrou 4 mil pessoas que não se enquadram nas condições para contratar financiamento imobiliário. O impacto financeiro desse ajuste foi de R$ 91 milhões.

A praxe no mercado é que os clientes paguem prestações de imóvel adquirido na planta para a construtora durante a obra e, depois, entrem em um financiamento imobiliário. Mas muitos lançamentos da Tenda foram vendidos para clientes que não atendem aos requisitos exigidos pelos bancos para a contratação de crédito habitacional. A empresa, portanto, precisou retomar o imóvel desses clientes, reembolsar o que eles pagaram e colocar os imóveis à venda novamente.

A Gafisa reservou mais dinheiro para resolver problemas neste ano. A empresa fez uma provisão de R$ 80 milhões para novos distratos e mais R$ 87 milhões para devedores duvidosos. As multas por atrasos de obras e os cancelamentos de projetos também causaram custos extras.

O presidente da Gafisa afirmou que a companhia pretende recuperar a maior parte das perdas em 2012. A meta é gerar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões de caixa neste ano. Segundo Calciolari, cerca de 40% das unidades da Tenda retomadas pela empresa de clientes com problemas de crédito já foram revendidas.

Reações
Os investidores receberam mal o resultado divulgado pela empresa. As ações da Gafisa caíram 4,19% ontem, enquanto o Ibovespa subiu 1,09%.

“O resultado é muito diferente do que tinha sido sinalizado pela companhia”, avalia o Barclays Capital. Em relatório, o banco destaca o “impressionante” ajuste, em valores muito piores que a estimativa mais pessimista do mercado. O analista Marcello Milman, do BTG Pactual, por sua vez, calcula que as perdas reconhecidas pela Gafisa representam até 63% do valor de mercado da companhia, derrubando-o para R$ 2,75 bilhões. “Dado o elevado grau de incerteza associada à recuperação da companhia, mantemos precaução com as ações da Gafisa”, diz.

Para o analista de construção civil da corretora Banif, Flávio Conde, a grande dúvida do mercado é se os ajustes na companhia já acabaram ou ainda aparecerão no resultado do primeiro trimestre de 2012. “Dada essa incerteza, é muito difícil estimar o valor justo da companhia”, diz.

Um analista, que não quis se identificar, disse que o mais preocupante foram os ajustes feitos em projetos da própria Gafisa. “Que a Tenda tinha problemas, todos sabiam. Mas não esperávamos ajustes nos projetos da Gafisa”, disse.

Outro fator recente que acionou o sinal de alerta no mercado financeiro foi a proposta de aquisição de fatias da companhia feita pelos seus ex-acionistas, os fundos GP Investimentos e Equity International, do americano Sam Zell, no início do ano. “Ninguém fez oferta para comprar a empresa inteira. Talvez ela valha menos do que o mercado estima”, disse. A proposta foi recusada

Reestruturação
Na metade de 2011, a Gafisa iniciou uma reestruturação. A empresa decidiu brecar os lançamentos da marca econômica, a Tenda, e priorizar os loteamentos de Alphaville, que traz margens maiores.

A empresa também quer focar em mercados mais maduros, principalmente no Rio e em São Paulo. A meta da Gafisa é lançar até R$ 3,3 bilhões em 2012, menos do que os R$ 3,5 bilhões que lançou em 2011. O grupo planeja entregar entre 22 mil e 26 mil unidades - sendo metade de empreendimentos da Tenda.

COLABOROU: BETH MOREIRA