domingo, 9 de setembro de 2012

Verticalização se espalha pela zona sul

A professora de física Maria Angélica Marcondes, 55, sempre morou em casa. Ali mesmo, na Vila Mariana. Mas, divorciada depois de um casamento de 29 anos, filhos criados, ela caiu em depressão. Um mês de antidepressivos e, quando viu, estava no quiosque de vendas de um novo condomínio, perto do metrô. Comprou.
"Agora, meu foco é aproveitar mais a vida", diz Angélica. "Tenho cinema, teatro, shopping, lojas, restaurantes, tudo pertinho e sem os contratempos da vida em casa."
Gabo Morales/Folhapress
Prédios assumem lugares das casas em Santo Amaro, onde verticalização saltou de 35% para 53%, diz Datafolha
Prédios assumem lugares das casas em Santo Amaro, onde verticalização saltou de 35% para 53%
Ela tornou-se mais uma a aderir à maioria absoluta de moradores de apartamentos na Vila Mariana (70%). Apenas Moema (com 74%) tem proporção maior na zona sul.
"Está cada vez mais difícil achar um bom jardineiro. E o que dizer dos equipamentos de segurança que uma casa demanda? Pois bem, quem mora em prédio não tem de se preocupar com isso", explica Eduardo Zaidan, vice-presidente de economia do Sinduscon-SP, Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo.
A pesquisa Datafolha constatou uma corrida aos prédios na zona sul de São Paulo.
Entre 2008 e 2012, o número de moradores de apartamentos subiu em média 5 pontos percentuais (eram 16%, agora são 21%).
Há bairros, contudo, em que essa variação foi dramática, como Santo Amaro, onde o salto foi de 18 pontos percentuais (eram 35% em 2008, são 53% hoje), Saúde (de 43% para 58%), Campo Grande (de 28% para 43%) e Ipiranga (de 25% para 39%).
O BOOM DE SANTO AMARO
Na zona sul, o Datafolha constatou, o problema que mais cresceu nas preocupações dos moradores foi a violência urbana. Saltou de 6% para 13%.
Segundo especialistas, é fator a empurrar os moradores para prédios. Mas há outros, como o acesso ao transporte coletivo de qualidade (leia-se metrô), a proximidade de shoppings, restaurantes e centros culturais. São os fatores extra-condomínios.
Gabo Morales/Folhapress
Carteiro em frente a casa na região do campo Grande, que teve aumento na verticalização de 28% para 43%
Carteiro em frente a casa na região do campo Grande, que teve aumento na verticalização de 28% para 43%
Entre os intramuros, segundo Zaidan, inclui-se um novo conceito de morar.
"Quem trabalha o dia todo, quer uma casa funcional. Os ambientes podem ser pequenos porque tudo encolheu: a televisão sem o tubo, o computador com os notebooks, o aparelho de som com os gadgets eletrônicos", enumera.
"A cozinha (sem despensa porque ninguém mais faz estoque de alimentos) pode ser aberta para a sala. Tornou-se quase decorativa, já que almoçar ou jantar fora deixou de ser apenas programa de fim de semana", diz.
Em alguns bairros, as torres de concreto brotando sinalizam a ressurreição da vizinhança. É o caso de Santo Amaro, vizinhança antiga que foi município independente até 1935, quando se incorporou a São Paulo.
Há tempo, Santo Amaro estava engessado entre o casario bonito, típico de bairros bem urbanizados (onde se instalaram os imigrantes alemães) e um comércio popular degradado -nos anos 80, ali era cenário de saques e quebra-quebras de ônibus.
Mas bastou o anúncio da construção da linha 5-lilás do metrô para o início de um boom imobiliário. Em uma só quadra, localizada a 400 m da futura estação, comprimem-se quatro edifícios recém-construídos.
Um quinto está sendo lançado. A planta básica prevê apartamentos de 31 a 78 m² de área privativa. "É para estudantes, solteiros, casais em início de vida, gays", diz a corretora no empreendimento. "A vida, a balada, a festa acontecem na rua. A casa é para recarregar as baterias", afirma. E para isso, esses casulos são mais do que bons.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PDG troca comando e vai para o tudo ou nada


AE - Agencia Estado
SÃO PAULO - No dia em que acordou presidente da segunda maior construtora do País, Carlos Augusto Piani, 38 anos, ganhou de seu antecessor uma camisa branca, usada, com a logomarca da companhia bordada no peito. Vestiu o presente ali mesmo, no escritório, para receber os cumprimentos dos funcionários e dar sua primeira entrevista à imprensa. Lugares-comuns à parte, o que a PDG queria mostrar ao mercado naquele dia é que agora está sob o comando de alguém disposto a ?vestir a camisa? e ?viver e morrer? pela empresa, nas palavras do próprio Piani.
O tom dramático combina com a situação da PDG. A empresa deu prejuízo de R$ 418 milhões no primeiro semestre e mais da metade das 30 mil unidades que tem para entregar este ano está atrasada. Milhares de famílias esperam as chaves há mais de seis meses. Em razão desse cenário, a empresa foi a segunda do setor que mais perdeu valor em bolsa este ano - só não desvalorizou mais que a Viver. Quando aceitou o convite para se tornar o novo presidente da incorporadora, Piani já sabia que teria tempos difíceis pela frente.
Ele é um dos sócios da gestora de recursos Vinci Partners, que acabou de injetar R$ 486 milhões na PDG e se tornou a maior acionista da incorporadora, com uma fatia de 9%. O aporte e o possível retorno da Vinci como sócia da empresa foram anunciados em maio, mas dependiam do sucesso de uma complexa transação financeira para se concretizarem. Isso aconteceu na semana passada, para alívio dos executivos da empresa e de investidores, que viam essa como a mais importante cartada da incorporadora para se recuperar da maior crise de sua história.
Apesar de jovem, Piani já tem no currículo uma experiência bem-sucedida com outra empresa enroscada. Em 2004, com 30 anos, se tornou diretor financeiro e depois presidente da distribuidora de energia do Maranhão, a Cemar, onde a Vinci também colocou dinheiro. Na época, a Cemar estava quebrada e carregava o peso de prestar o pior serviço do setor. No ano passado, a Cemar foi eleita pela Aneel, órgão que regula o setor elétrico, a segunda empresa mais eficiente entre as distribuidoras de energia. ?É um caso de sucesso, mas não significa que poderá ser copiado no setor imobiliário?, disse um analista.
Até o início do ano, a PDG era, na verdade, um conjunto de três empresas que funcionavam separadamente. Nos últimos meses, toda a parte administrativa da PDG foi integrada. Cerca de 200 pessoas foram desligadas da empresa, e os escritórios de Agre e Goldfarb passaram a funcionar no mesmo local, em São Paulo. Agora, a empresa tenta, com a consultoria do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), padronizar seus canteiros de obra.
Carlos Piani chega exatamente nesse estágio. Ele disse que só anunciará os próximos passos a serem dados na construtora daqui a 90 dias. Por enquanto, preferiu um discurso tangencial. ?Vocês terão de esperar para ver qual é meu estilo?, disse aos analistas de mercado. Sua primeira tarefa, segundo executivos da empresa, não será fácil: caberá a ele fazer as mudanças na cúpula da companhia e escolher entre os sócios, fundadores das empresas adquiridas, quem tocará a operação. ?Vestir a camisa?, pelo visto, será a mais simples das missões do novo presidente. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Link:http://economia.estadao.com.br/noticias/negocios+geral,pdg-troca-comando-e-vai-para-o-tudo-ou-nada,125173,0.htm

Construção 'encolhe' no 2º trimestre, mas setor prevê recuperação

Ritmo menor do programa 'Minha Casa, Minha Vida' prejudicou resultados.
Para Cbic e Abramat, desempenho ficará abaixo dos 3,6% de 2011.

Darlan AlvarengaDo G1, em São Paulo

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construção civil gráfico pib (Foto: Editoria de Arte/G1)
A diminuição do volume de contratações de novas obras e das vendas de imóveis e materiais de construção derrubou o desempenho da indústria da construção civil no segundo trimestre. Segundo os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do período, divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país cresceu 0,4% no segundo trimestre, ao passo que a indústria da construção, que historicamente sempre tem puxado o resultado para cima, registrou dessa vez uma queda de 0,7%
As entidades que representam o setor afirmam que o resultado negativo já era esperado. "Veio pior do que imaginávamos, mas não teve nada de atípico porque já esperávamos uma performance pior, uma vez que não se tem contratado grandes coisas nos últimos meses", afirma Paulo Safady, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Mas, embora já admita que o resultado de 2012 ficará abaixo do que o registrado no ano passado, o setor acredita numa recuperação neste segundo semestre, o que deverá garantir mais uma vez um crescimento maior que do o PIB do país. "Vamos fechar o ano com crescimento em torno de 3% e 3,5%, mas acima do PIB do país", projeta Safady.
PIB trimestral (Foto: Editoria de arte/G1)
Em 2011, o setor fechou o ano com crescimento de 3,6%, ao passo que a economia brasileira como um todo avançou 2,7%. No primeiro semestre deste ano, o crescimento acumulado do setor é de 2,4%, apesar do recuo nos últimos três meses.
Nível de emprego no setor segue em alta
Para a coordenadora de projetos da construção da FGV, Ana Maria, apesar do recuo o setor ainda permanece como um dos mais dinâmicos da economia.
"Houve de fato uma desaceleração – que estamos atribuindo a uma diminuição do início de novas obras e das vendas, e também a um menor ritmo nas contratações no 'programa Minha Casa, Minha Vida' –, mas o PIB da construção não está negativo. Um setor que está com crescimento no emprego na ordem de 7% não pode estar queda", afirma.
Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito em parceria com Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), mostra que o nível de emprego na construção civil brasileira cresceu 6,98% no acumulado até julho, o equivalente a 221,5 mil contratações. O resultado, no entanto, indicou uma desaceleração se comparado ao intervalo de janeiro a julho de 2011, quando a área contratou 228,2 mil trabalhadores. A sondagem sobre o desempenho do setor em agosto será divulgada na próxima quarta-feira (5).

Ana Maria explica que, pela metodologia do IBGE, a medição do PIB da construção civil é feita basicamente em cima dos dados da atividade da indústria de materiais de construção, o que ajuda a entender melhor o resultado negativo no segundo trimestre.

"O PIB da construção civil deverá crescer menos que no ano passado, mas será, tranquilamente, mais uma vez superior ao PIB do país, que não deverá chegar a 2%", avalia.

Vendas de materiais desaceleram
As vendas de materiais de construção ficaram praticamente estagnadas nos últimos meses. No acumulado de janeiro a julho, as vendas do setor aumentaram 2,2%, ante avanço de 2,9% registrado em 2011.

"As vendas da indústria nos últimos meses ficaram muito abaixo do previsto. Começamos o ano com previsão de crescimento de 4,5% de previsão. Em abril, baixamos para 3,4%, mas, em agosto, já deu uma boa melhorada e estamos mantendo os 3,4%", diz Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). A entidade projeta que o PIB do país ficará em torno de 2%.
Segundo a Abramat, a maior queda nas vendas no 1º semestre foi sentida no varejo, que representa 50% das vendas do setor, e no mercado de infraestrutura, que representa uma fatia de 25%, por conta da desaceleração nas contratações de novas obras.

"As vendas para o mercado imobiliário continuaram aquecidas por conta de lançamentos que foram feitos em 2010 e 2011 e que agora entraram na fase de acabamento", afirma Cover.

Minha Casa, Minha Vida
A professora da FGV destaca, entretanto, que houve, de fato, uma desaceleração no ritmo de contratações de obras públicas e nas construções de novos empreendimentos imobiliários.

"As contratações nessa segunda fase do Minha Casa, Minha Vida ficaram bem aquém das expectativas. Mas a revisão do valor dos imóveis para financiamentos pode ser agora um incentivo para que se retomem as contratações", afirma.

Portaria publicada no dia 29 pelo Ministério das Cidades reajustou os valores máximos de aquisição dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. Na capital e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio e Brasília, o valor subiu de R$ 65 mil para R$ 76 mil para os enquadrados no faixa 1, que ganham até R$ 1.600.

Apesar da desaceleração no primeiro semestre, os representantes do setor se dizem otimistas com o desemprenho dos próximos meses.

"Não tenho dúvida de que os resultados do terceiro e quarto trimestre serão melhores, uma vez que todas as medidas que vínhamos solicitando já foram tomadas", diz o presidente da CBIC, citando a revisão dos valores de aquisição dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida, o lançamento do programa de concessões de rodovias e ferrovias e os novos planos para redução do custo da energia elétrica e para portos e aeroportos, prometidos para as próximas semanas.

"Todas estas medidas irão certamente recolocar as empresas do setor em atividades e ajudarão a dar continuidade nas contratações e nos investimentos", diz Safady, lembrando que a indústria da construção civil responde por 43% da formação bruta de capital no país.

Para o presidente da Abramat, a prorrogação do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção será outro fator que ajudará a estimular novos investimentos e vendas nos próximos meses. "As intenções de investimento na indústria da construção certamente voltarão a crescer, e quem fazia planos de iniciar uma obra irá entrar com muito mais otimismo agora, sabendo que os preços não vão subir até o final de 2013", avalia.