Valor Econômico, Alessandra Bellotto, 22/jul
O Banco Fator, com forte atuação no segmento corporativo e de transações estruturadas, está diversificando seus negócios. Acaba de estrear no mercado de fundos imobiliários, com uma oferta de R$ 100 milhões do Fator Verita. A operação marca a conclusão do projeto iniciado há dois anos, com a contratação de Valdery Albuquerque para estruturar uma área de ativos financeiros de base imobiliária.
Albuquerque - que tem no currículo a presidência da Caixa Econômica Federal e da Nossa Caixa - conta que o objetivo do Fator era aumentar o portfólio de produtos do banco com opções atraentes do ponto de vista de retorno, mas com risco controlado. Depois de estruturar a área e montar a equipe, que hoje conta com sete pessoas dedicadas, deu-se início à primeira fase do plano, com a coordenação de duas ofertas de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), em fevereiro e março deste ano.
"A iniciativa teve impacto muito positivo para o banco, uma vez que as operações não só atraíram clientes ativos do segmento private do Fator como trouxeram novos investidores para a casa", afirma o executivo. Depois das duas iniciais, o Fator já distribuiu mais cinco emissões de CRIs e há outras cinco no forno.
Esses títulos, segundo Albuquerque, oferecem retornos atraentes com uma estrutura de risco adequada, já que representam recebíveis com origem em contratos de imóveis com alienação fiduciária, além da isenção de imposto de renda no rendimento para pessoa física. A falta de liquidez, contudo, é um problema, mas o lançamento de fundos para investir nesses papéis pode contribuir para ampliar o mercado secundário.
Para fechar o projeto, faltava entrar na estruturação de fundos imobiliários. Por que então não unir a expertise de análise de risco de CRI com um fundo imobiliário, que amplia o acesso de investidores aos certificados pelo tíquete menor de investimento? "Nosso cliente não quer, necessariamente, colocar R$ 300 mil (valor mínimo de aplicação) em um único CRI", diz Albuquerque.
Sem contar a dificuldade de análise desse tipo de operação. O Fator Verita, fundo que vai aplicar em CRIs, oferece uma análise profissional dos títulos, além de diversificação e aplicação mínima de R$ 20 mil, segundo o prospecto arquivado na CVM. Outra demanda do investidor atendida pelo fundo, que tem prazo de 12 anos, é a distribuição semestral dos rendimentos, já que os CRIs pagam juros mensais. A rentabilidade-alvo da carteira é a variação do IGP-M mais 8% ao ano. Vale lembrar que, como a carteira terá as cotas negociadas em bolsa, também há o benefício da isenção de IR para a pessoa física.
E tem mais fundo por aí. Até o fim do ano, o plano é lançar mais uma carteira imobiliária, desta vez para investir no desenvolvimento de empreendimentos comerciais, como shopping centers. O público-alvo, nesse caso, é o investidor mais sofisticado, como os institucionais.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Crédito habitacional deve chegar a R$ 5 bilhões no Estado do Rio.
O Fluminense, Letícia Mota, 22/jul
O Rio de Janeiro também bateu recorde de crédito imobiliário no primeiro semestre desse ano, seguindo a tendência do resto do País. Em comparação com o mesmo período de 2009, foram liberados pela Caixa Econômica Federal, R$ 2,690 bilhões em créditos para a compra da casa própria no Estado - o que representa um crescimento de 161%.
Até o final do ano, pelo menos mais 23,5 mil unidades do "Minha casa, minha vida" têm financiamento garantido pela Caixa. E, para atingir a meta estadual de 74.657 moradias, dentro do programa do Governo Federal, será necessário financiar ainda mais 20 mil unidades, o que deve fazer com que os limites de crédito da entidade cheguem a R$ 5 bilhões até o fim de 2010. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, pela superintendente regional da Caixa no Rio, Nelma Souza Tavares.
"Fechamos o primeiro semestre com 38.326 contratos assinados, que equivalem à liberação de 59% da verba total que temos em caixa para financiamentos esse ano, que são R$ 4,4 bilhões. No entanto, com o mercado tão promissor, acredito que até o final do ano poderemos chegar a R$ 5 bilhões em financiamentos e cumprir a meta do estado de reduzir em 14% o déficit habitacional determinado pelo governo federal", explicou Nelma.
De acordo com o balanço divulgado, dos R$ 2,690 bilhões liberados para financiamentos imobiliários pela Caixa, de janeiro a junho, R$ 670,3 milhões foram destinados a 7.313 contratos do programa "Minha casa, minha vida" este ano. Segundo Nelma Tavares, do total disponível, até o final do ano deverão ser liberados mais R$ 758 milhões para o programa do governo federal, que abrange trabalhadores que recebem até R$ 4,9 mil.
Segundo a superintendente da Caixa, em 2010, no Rio, os financiamentos habitacionais com recursos do FGTS já somam R$ 861,9 milhões. Já os empréstimos que têm como fonte de recursos a poupança (SBPE) totalizam R$ 1,6 bilhão. Os investimentos em habitação em todo o estado do Rio já beneficiaram em 2010 mais de 155.600 pessoas.
Para Nelma, o Rio voltou a ser um lugar atrativo para as construtoras, pessoas físicas e jurídicas por ter retomado a confiança, principalmente por causa dos eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Feirão - O programa "Minha casa, minha vida", desde o lançamento, em abril de 2009, já contratou em todo o Estado 30.865 unidades habitacionais, num total de R$ 2,1 bilhões em investimentos, tendo sido executado 41,3% da meta para o estado que é de 74.657 moradias.
Também no Feirão do Rio, em 2010, os números confirmaram a expectativa da Caixa em superar as edições anteriores. No balanço final, foram contabilizados a geração de 9.233 negócios, que representam recursos da ordem de R$ 901,6 milhões.
O Rio de Janeiro também bateu recorde de crédito imobiliário no primeiro semestre desse ano, seguindo a tendência do resto do País. Em comparação com o mesmo período de 2009, foram liberados pela Caixa Econômica Federal, R$ 2,690 bilhões em créditos para a compra da casa própria no Estado - o que representa um crescimento de 161%.
Até o final do ano, pelo menos mais 23,5 mil unidades do "Minha casa, minha vida" têm financiamento garantido pela Caixa. E, para atingir a meta estadual de 74.657 moradias, dentro do programa do Governo Federal, será necessário financiar ainda mais 20 mil unidades, o que deve fazer com que os limites de crédito da entidade cheguem a R$ 5 bilhões até o fim de 2010. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, pela superintendente regional da Caixa no Rio, Nelma Souza Tavares.
"Fechamos o primeiro semestre com 38.326 contratos assinados, que equivalem à liberação de 59% da verba total que temos em caixa para financiamentos esse ano, que são R$ 4,4 bilhões. No entanto, com o mercado tão promissor, acredito que até o final do ano poderemos chegar a R$ 5 bilhões em financiamentos e cumprir a meta do estado de reduzir em 14% o déficit habitacional determinado pelo governo federal", explicou Nelma.
De acordo com o balanço divulgado, dos R$ 2,690 bilhões liberados para financiamentos imobiliários pela Caixa, de janeiro a junho, R$ 670,3 milhões foram destinados a 7.313 contratos do programa "Minha casa, minha vida" este ano. Segundo Nelma Tavares, do total disponível, até o final do ano deverão ser liberados mais R$ 758 milhões para o programa do governo federal, que abrange trabalhadores que recebem até R$ 4,9 mil.
Segundo a superintendente da Caixa, em 2010, no Rio, os financiamentos habitacionais com recursos do FGTS já somam R$ 861,9 milhões. Já os empréstimos que têm como fonte de recursos a poupança (SBPE) totalizam R$ 1,6 bilhão. Os investimentos em habitação em todo o estado do Rio já beneficiaram em 2010 mais de 155.600 pessoas.
Para Nelma, o Rio voltou a ser um lugar atrativo para as construtoras, pessoas físicas e jurídicas por ter retomado a confiança, principalmente por causa dos eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Feirão - O programa "Minha casa, minha vida", desde o lançamento, em abril de 2009, já contratou em todo o Estado 30.865 unidades habitacionais, num total de R$ 2,1 bilhões em investimentos, tendo sido executado 41,3% da meta para o estado que é de 74.657 moradias.
Também no Feirão do Rio, em 2010, os números confirmaram a expectativa da Caixa em superar as edições anteriores. No balanço final, foram contabilizados a geração de 9.233 negócios, que representam recursos da ordem de R$ 901,6 milhões.
Crédito de longo prazo terá estímulo.
Folha de São Paulo, Gustavo Patu e Leila Coimbra, 22/jul
O governo prepara um pacote de medidas para elevar o volume de dinheiro disponível para financiar grandes obras de infraestrutura e outros investimentos necessários nos próximos anos, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda).
Trata-se, basicamente, de incentivos tributários e novas regras que, ao mesmo tempo, estimulem a poupança de longo prazo e favoreçam a aplicação desses recursos em projetos que vão da construção de casas à exploração do petróleo da camada do pré-sal.
À Folha Mantega citou a criação de debêntures (títulos privados) especiais para investimentos em infraestrutura, que seriam diretamente emitidas por um projeto de investimento.
Essa emissão será desonerada pelo governo.
"Por exemplo, o rio Madeira [composto por duas hidrelétricas em Rondônia] emite seus papéis, que serão desonerados e sua captação fica mais barata."
Para incentivar que bancos privados entrem no financiamento de longo prazo, o ministro disse está disposto a reduzir o Imposto de Renda para aplicações financeiras também de longo prazo. "Hoje o banco privado não quer esse tipo de operação porque ele capta no curto ou médio."
O pacote está sendo discutido pelo governo com o Banco Central, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros).
BNDES
As medidas pretendem responder à escassez de recursos para a ampliação dos investimentos no país, em parte suprida por injeções de recursos do Tesouro Nacional no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), maior responsável pelo financiamento aos projetos de ampliação da capacidade produtiva do país.
A operação consiste na emissão de títulos da dívida pública que são entregues ao BNDES. Para obter dinheiro e ampliar suas operações, o banco vende os papéis e financia projetos de empresas estatais e privadas.
Desde o final de 2008, quando a crise econômica global fez secar o crédito privado, o Tesouro repassou R$ 200 bilhões à instituição.
Segundo Mantega, não haverá novos aportes ao BNDES neste ano, e o uso desse expediente deve ser "bastante" reduzido a partir de 2011, a depender do ponto de vista da atual equipe econômica.
Segundo sua estimativa, a operação trará um custo de R$ 5 bilhões para o Tesouro neste ano, decorrente, em especial, da diferença entre a taxa de mercado paga pelos títulos emitidos e os juros mais baixos a serem recebidos do BNDES.
O ministro defende a medida e ataca seus críticos, para os quais o governo criou um mecanismo para expandir gastos sem transparência orçamentária.
O governo prepara um pacote de medidas para elevar o volume de dinheiro disponível para financiar grandes obras de infraestrutura e outros investimentos necessários nos próximos anos, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda).
Trata-se, basicamente, de incentivos tributários e novas regras que, ao mesmo tempo, estimulem a poupança de longo prazo e favoreçam a aplicação desses recursos em projetos que vão da construção de casas à exploração do petróleo da camada do pré-sal.
À Folha Mantega citou a criação de debêntures (títulos privados) especiais para investimentos em infraestrutura, que seriam diretamente emitidas por um projeto de investimento.
Essa emissão será desonerada pelo governo.
"Por exemplo, o rio Madeira [composto por duas hidrelétricas em Rondônia] emite seus papéis, que serão desonerados e sua captação fica mais barata."
Para incentivar que bancos privados entrem no financiamento de longo prazo, o ministro disse está disposto a reduzir o Imposto de Renda para aplicações financeiras também de longo prazo. "Hoje o banco privado não quer esse tipo de operação porque ele capta no curto ou médio."
O pacote está sendo discutido pelo governo com o Banco Central, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros).
BNDES
As medidas pretendem responder à escassez de recursos para a ampliação dos investimentos no país, em parte suprida por injeções de recursos do Tesouro Nacional no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), maior responsável pelo financiamento aos projetos de ampliação da capacidade produtiva do país.
A operação consiste na emissão de títulos da dívida pública que são entregues ao BNDES. Para obter dinheiro e ampliar suas operações, o banco vende os papéis e financia projetos de empresas estatais e privadas.
Desde o final de 2008, quando a crise econômica global fez secar o crédito privado, o Tesouro repassou R$ 200 bilhões à instituição.
Segundo Mantega, não haverá novos aportes ao BNDES neste ano, e o uso desse expediente deve ser "bastante" reduzido a partir de 2011, a depender do ponto de vista da atual equipe econômica.
Segundo sua estimativa, a operação trará um custo de R$ 5 bilhões para o Tesouro neste ano, decorrente, em especial, da diferença entre a taxa de mercado paga pelos títulos emitidos e os juros mais baixos a serem recebidos do BNDES.
O ministro defende a medida e ataca seus críticos, para os quais o governo criou um mecanismo para expandir gastos sem transparência orçamentária.
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