Após cinco meses consecutivos em queda, o volume de projetos residenciais aprovados voltou a crescer no município de São Paulo em setembro, contribuindo para a alta no número de lançamentos.
Foram lançados 3.805 imóveis residenciais na cidade em setembro, 83% a mais do que em agosto. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento é de 38%, segundo dados divulgados ontem pelo Secovi-SP (sindicato da habitação).
Dificuldades no licenciamento de novos projetos imobiliários têm sido alvo de reclamações das empresas nos últimos meses e apontadas como um dos motivos para a queda no número de lançamentos em 2012.
De janeiro a agosto deste ano, o número de lançamentos caiu 38% na capital paulista. Com a recuperação registrada em setembro, essa diferença caiu para 29%.
"O volume de lançamentos aumentou porque a curva de aprovação de projetos subiu em setembro e por causa da proximidade do final do ano", diz Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.
Ele lembra que muitas empresas de capital aberto, com metas a cumprir, costumam aumentar o ritmo de lançamentos no fim do ano.
Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos de construção da FGV, minimizou a influência do maior número de licenças na alta dos lançamentos. "Não acredito que a reação das empresas seja tão imediata", afirma.
Para ela, o maior número de lançamentos em setembro reflete mais a decisão das incorporadoras de testar o mercado no final de 2012, depois de um ano marcado pela queda no volume de novos projetos colocados à venda.
A queda das vendas no ano passado resultou em aumento no volume dos estoques de imóveis residenciais novos (até três anos de existência), que chegaram a 19.731 unidades em dezembro de 2011.
Com a retração no número de lançamentos, as empresas procuraram ajustar a oferta à demanda e conseguiram reduzir os estoques para 17.039 imóveis em setembro.
O número é superior às 14.072 unidades estocadas em setembro de 2011, mas está em um nível considerado confortável pelo Secovi.
VENDAS
A retomada do número de lançamentos vem acompanhada de melhora nas vendas, que atingiram 3.674 unidades em setembro -alta de 98% em relação a agosto e de 14% ante igual mês de 2011.
Segundo o Secovi, 88% das unidades foram vendidas na fase de lançamento, de até 180 dias. "Os lançamentos estão sendo vendidos e as empresas continuam desovando estoques", diz Petrucci.
A maior aceitação dos lançamentos pelos consumidores está ligada ao perfil dos imóveis ofertados, que estão "mais aderentes ao bolso do consumidor", afirma ele.
A participação dos imóveis de dois dormitórios nas vendas, historicamente de 40%, atingiu 60% em setembro.
"Com a forte alta do metro quadrado nos últimos anos, as famílias estão ajustando o número de metros que desejam comprar ao quanto podem pagar", diz Ana Castelo, que também destaca a melhora da confiança do consumidor como fator positivo para o setor no quarto trimestre.
Para o Secovi, 14 mil imóveis serão lançados entre outubro e dezembro e 12 mil serão vendidos em São Paulo.
Confirmada essa expectativa, 2012 terá alta de 9% no número de unidades vendidas, que somarão 31 mil imóveis. Já o número de lançamentos deve cair 21%, para 30 mil unidades em 2012.
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